Luiz Netto

Fotografia & Meio Ambiente

Indigenismo / Trabalhos

Teaser “O Desafio Fulni-ô”

Neste mês eu me aventuro em alguns lançamentos na área de vídeo. Falo nos próximos dias sobre a websérie Saberes Tradicionais, mas hoje deixo um pouco do trabalho que está por vir, o média metragem “O Desafio Fulni-ô”, em que divido direção com a indígena Iris Almeida e onde conversamos com vários colegas de sua etnia sobre as dificuldades da etnia em manter suas tradições nos dias atuais. 

Também voltarei em breve a falar sobre o filme, quando o mesmo estiver montado, por ora, compartilho da agradável sensação que venho sentido de explorar a direção e a fotografia dentro de alguns trabalhos autorais de vídeo, algo que já planejava fazer há tempos, apesar de já ter trabalhado em dezenas de produções audiovisuais como produtor e produtor executivo, faltava de fato, “fotografar” os filmes. 

Por mais que a fotografia seja minha grande paixão, tantos anos percorrendo comunidades indígenas, sempre me fez sentir falta de registrar tantos depoimentos relevantes que cruzavam meu caminho, de certa forma tais depoimentos eram registros que a pura fotografia não alcançava, motivo que me fez pensar numa série de trabalhos de audiovisual da temática indígena que pretendo realizar nos próximos anos, paralelo aos trabalhos fotográficos.

A seguir o primeiro teaser de “O Desafio Fulni-ô”, que sai produzido (pra variar) pela sempre ótima Panorama Cultural.

Trabalhos

Livros no Pequeno Encontro da Fotografia

O Pequeno Encontro da Fotografia já se consolida como um dos principais eventos da fotografia pernambucana. Esse ano ele parte para sua 4a edição e além das exposições, projeções, leitura de portfólios, entre outros eventos, contará mais uma vez com o Espaço do Livro, com o melhor da produção da fotografia pernambucana.

Assim como no ano passado, meus livros estarão à venda no espaço.

O Pequeno Encontro de Fotografia acontece no Sítio Histórico de Olinda, em vários pólos. O Espaço do Livro, onde as obras serão vendidas, acontece no Sebo Casa Azul, na sexta-feira, 31, das 14h às 19h e no sábado e domingo das 9h às 22h. A Casa Azul fica na Rua Treze de Maio, 121c.

Para maiores informações do evento, acesse o site oficial em https://pequenoencontrodafotografia.net/

Trabalhos

A expressão do rio e a expressão do homem

A jornalista Natália Garcia, que mediou o Brechas Urbanas que participamos juntamente com a também jornalista Eliane Brum, publicou recentemente, no site do Itaú Cultural, um belo artigo chamado “A expressão do rio e a expressão do homem” em que navega pelo trabalho do holandês Paul van Dijk, para então mergulhar no episódio do brechas e em nosso trabalho São Francisco Submerso. Quem quiser visualizar o artigo no site original, basta clicar AQUI.

A seguir o texto na íntegra.

 

A EXPRESSÃO DO RIO E A EXPRESSÃO DO HOMEM

por Natália Garcia

Ele chegava perto dos 2 metros de altura. Tinha a cabeça alongada na vertical, profundos olhos claros, mãos e pés proporcionais à estatura gigante. Chegou em cima da hora para ministrar um curso sobre a lógica da água. Estava emocionado por poder falar sobre esse assunto em São Paulo, uma cidade que tanto reprime seus rios. Holandês, Paul von Dijk precisou de tradução simultânea, de um inglês carregado de sotaque para o português. Falava devagar, baixo, se demorava até chegar ao ponto do que queria dizer.

Logo após se apresentar, ele se levantou, pegou um saco plástico gigante e começou a sacudi-lo pelos ares com as duas mãos, com ritmo e sutileza. Dançou com aquele objeto, que se confundia com um lenço em suas mãos. A agilidade e a graça dos seus movimentos nos faziam esquecer que ele estava perto dos 80 anos de idade. E então, ofegante, mas sem perder a calma, ele disse que aquele pedaço de plástico representava o fenômeno da vida, o movimento sincrônico e surpreendente que cria e desmancha formas no tempo, o tempo todo.

Ele parou o movimento e tirou do bolso um pequeno pedaço de um cano de PVC, com aproximadamente 2 centímetros de diâmetro. Apertou o saco plástico com força, fazendo-o passar por dentro do buraco do PVC. De um lado do cano, o dedão de Paul apertando aquele enorme saco para caber em um buraco de 2 centímetros. De outro, o plástico completamente compactado, saindo do cano com a forma de uma enorme salsicha. 

Se o pedaço de plástico sacudindo pelos ares era uma metáfora da vida, o cano de PVC, para Paul, era uma representação do modelo mental dos moradores de cidades ocidentais. Era isso que os sistemas de economia e educação, a arquitetura e o urbanismo faziam em sua opinião: deformavam a expressão da natureza, achatando as infinitas possibilidades da vida.

O curso que Paul veio ministrar em São Paulo em 2016 se chamava Água: Equilíbrio entre Polaridades. A base desse workshop era a ideia de que a água é um ser vivo que abriu mão de ter forma para que todos os demais seres pudessem tê-la. E esse ser, segundo o holandês, se expressa nos caudalosos rios que serpenteiam em um desapressado movimento de zigue-zague. Chamam-se meandros as curvas que o rio faz de um lado para o outro. O que Paul tentava nos explicar era que andar em linha reta através de um cano não é um caminho natural da água.     

Difícil não se lembrar de Paul no Brechas Urbanas que teve a presença de Luiz Netto, fotógrafo que registra cidades submersas por rios, e de Eliane Brum, jornalista que resolveu se mudar para o lugar que ela entende ser o centro do mundo, a Amazônia, e tem se dedicado (entre outras coisas) a compreender e disseminar o modelo mental de uma cultura humana que compreende e se norteia pelo ritmo e pela lógica da água – os ribeirinhos.

Enquanto Netto nos mostrava imagens de escolas e igrejas tomadas por corais no fundo de uma água que se deslocou por causa da ação humana, Eliane nos contou histórias de pessoas que entendiam como casa um ecossistema sem limites, estruturas ou contratos estabelecidos. Pessoas que moravam na beira do rio, na água do rio, na construção de pau a pique sobre a areia, na comunidade dos vizinhos, no céu trovejante carregado de nuvens escuras e na chuva densa que desabaria na sequência. Pessoas que se viram expulsas de suas casas pela construção de uma usina hidrelétrica e precisaram caber nos limites, nas estruturas, nos contratos – na rua.

 
 

As histórias contadas por Eliane e Luiz eram manifestações daquele modelo mental de moradores de cidades ocidentais mencionado por Paul von Dijk. Ficou evidente, naquela conversa, como a única chance de melhorar a experiência humana no planeta passa por equiparar a expressão dos homens – as cidades – à expressão das águas – os rios.

NATÁLIA GARCIA

É jornalista e criadora da comunidade Cidades para Pessoas. Representa a embaixada no Brasil da plataforma de criação e inovação urban maker Pakhuis de Zwijger. Em todos esses trabalhos, dedica-se a investigar, comunicar e implementar ações práticas que melhorem a vida no planeta. É atualmente mediadora do Brechas Urbanas, série de debates sobre a vida na cidade que acontece mensalmente no Itaú Cultural.

Trabalhos

Último dia de “Warao – O Povo da Canoa”

Hoje é o último do dia do Festival de Inverno de Garanhuns e, por conseguinte, o último dia de visitação a nossa exposição “Warao – O Povo da Canoa”, mostra que retrata um pouco desta etnia venezuelana que tão bem me acolheu enquanto lá estivemos e a qual nos deu dias verdadeiramente enriquecedores. 

Estarei pessoalmente na galeria durante todo o horário de visitação que começa às 16 horas. Em virtude do encerramento, a coordenação do FIG nos passou que a casa irá fechar hora mais cedo, portanto, às 21 horas. Quem tiver por Garanhuns pode aparecer que vai ser um prazer recebê-los. Só lembrando, a Galeria Casa Galpão fica na Avenida Dantas Barreto, bem pertinho do palco principal.

Nossos agradecimentos a toda coordenação do FIG, Fundarpe e Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco por este belíssimo evento.