Luiz Netto

Fotografia & Meio Ambiente

Fotografia

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O caso da desclassificação do fotógrafo brasileiro

Não se falou outra coisa esta semana. Da minha lista de e-mails mais ativa sobre fotografia, aos grupos de whatsapp do tema que integro e diversas postagens nas mais diversas redes sociais, a desclassificação de um fotógrafo brasileiro, vencedor do famosíssimo Wildlife Photographer of the Year, um dos mais reconhecidos concursos do mundo.

Já falei aqui em postagens passadas que não sou dos maiores entusiastas de concursos, tampouco conheço a história e a carreira do Marcio Cabral, o brasileiro vencedor com uma imagem espetacular, mas ver um conterrâneo vencer o famoso concurso internacinoal e com uma foto tão ímpar alegra todos da classe, sem dúvidas.

Pra quem ainda não sabe do ocorrido, Marcio foi desclassificado por utilizar um animal empalhado (mais informações AQUI). A coordenação do concurso foi cuidadosa e criteriosa, enviou a imagem pra 5 especialistas e todos foram unânimes em informar que se trata do mesmo animal empalhado da entrada do Parque Nacional das Emas.

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A fantástica imagem vencedora do Marcio Cabral.

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O animal empalhado do Parque Nacional das Emas (foto do Natural History Museum).

Confesso também que não precisa ser especialista pra achar tudo tão estranho, a cabeça do animal, as linhas do corpo, a pelagem, a disposição das cores, tudo conta contra o Marcio, as semelhanças são gritantes. 

Ainda assim, acreditar na presunção da inocência é fundamental, Marcio jura inocência, diz ter testemunhas (não sei quantas), mas uma coisa de fato me deixa ainda mais embaraçado. Explico.

O concurso pediu novas imagens do animal chegando e saindo do cupinzeiro. Marcio diz que por ser uma longa exposição tem uma única foto. Nesses mais de 10 anos dedicados a fotografia de natureza, vi pouquíssimos instantes tão mágicos quanto este, os famosos “cupinzeiros luminescentes” do cerrado brasileiro e um bandeira adulto e maduro aparecendo em meio a uma longa exposição numa composição linda (e neste aspecto também ressaltamos o mérito do fotografo). Justamente por ter presenciado tão poucas cenas raras como esta em tantos anos e tantas horas perdidas (ou ganhas a depender do ponto de vista) no meio do mato, sei o quanto um fotógrafo aproveitaria ao máximo um momento tão mágico. Duro imaginar que foi uma única foto.

Marcio se defende informando ser uma longa exposição com 30 segundos de duração. Em tese, tecnicamente factível. Ressalto ainda que a nitidez da imagem é impecável pro horário em que a foto provavelmente foi registrada. Difícil imaginar que justamente após os 30 segundos da foto, o animal se retirou, justamente num intervalo entre uma foto e outra. Não é impossível que isso tenha acontecido, é verdade, mas, admitamos, seria muita sorte (pela perfeição) e muito azar (por ter sido permitido um único click).

Em resumo, mais do que os 5 especialistas informarem que se trata do mesmo animal, me causa muito mais estranheza o fato do fotógrafo ter registrado uma única foto do momento e com tamanha perfeição. Certamente as condições adversas do local e do horário, ter-se-ia o mínimo de tentativa e erro até um click tão perfeito. Eu dificilmente conseguiria uma regulagem tão perfeita logo no primeiro.

A disposição das massas na imagem é singular, certamente o júri levou isso em consideração, Marcio certamente é um fotógrafo diferenciado, entende de composição como poucos, até os cupinzeiros ao fundo preenchem a imagem de maneira singular e merece parabéns por este cuidado, mas se de fato utilizou um animal empalhado sem ter comunicado, considero um grave atentado à ética e ela não pode ser ferida desta forma em qualquer profissão.

Outras famosas imagens da fotografia de natureza brasileira são acusadas de utilizarem animais cativos em ambientes naturais, mas não lembro de outras situações em que conseguiu-se tantos indícios de fraude.

Vale salientar que utilizar animais cativos e/ou domesticados não é crime. Pelo contrário, muitas vezes facilita a emissão da real mensagem, mas é sempre necessário informar. Sempre que publico fotos de zoológicos, ou animais domésticados em geral, faço questão de informar, isso nunca desmereceu os méritos da imagem. Abaixo alguns destes cliques que adoro.

15350644_10208173712362845_4620620600765565060_nMurucututu (Pulsatrix perspicillata), no Parque Zoobotânico de Teresina (Piauí) em foto de 2016.

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O chimpanzé Sena, o decano do Zoológico do Recife, em foto de 2014.

O que aconteceu é duro. Muito duro. Ainda assim, aguardarei a posição oficial do autor. Pelo que soube, ele ainda terá a chance de se defender e tem a certeza que será absolvido. Pelo bem da fotografia brasileira, que assim seja e torço para que ele traga novos elementos. Fico na torcida para que tudo se esclareça e que no fim a verdade seja a única vencedora!

Fotografia / Indigenismo

Entrevista – Claudia Andujar

A vida é recheada de coincidências. Venho sendo cobrado nos últimos dias pra atualizar o blog com mais frequência. Os dias em campo, com pouco acesso a internet, não vêm ajudando muito neste sentido, ainda assim, ontem me peguei tentando começar a escrever um texto sobre Claudia Andujar, uma das fotógrafas que mais se dedicou à causa indígena no Brasil.

Eis que enquanto escrevo, um colega compartilha no facebook matéria de ontem do excelente portal Brasil de Fato, justamente sobre a última entrevista da fotógrafa em áudio, vídeo e texto,

Vale a pena ver, ler e ouvir. Basta clicar AQUI.

P.s. prometo que em breve termino o post que estava escrevendo sobre ela.

Fotografia / Trabalhos / Tratamento de Imagens

A paleta de cores do São Francisco

Algo que vem tomando meu tempo de estudos em fotografia é a relevância da teoria das cores na arte fotográfica. Antes e durante alguns trabalhos, a melhor paleta de cores já me tirou algumas horas de sono. Optar pelo colorido ou pelo preto e branco ou o grau de saturação das cores, por exemplo, sempre são dúvidas recorrentes e muitas vezes fundamental para o sucesso de um trabalho.

Esta dúvida da melhor paleta de cores a utilizar por vezes traz dilemas longos que podem modificar por completo um trabalho. Um exemplo real que vivemos nos últimos anos foi com o São Francisco Submerso. No início dos trabalhos, lá nos idos de 2012, estávamos fortemente inclinados a ser um trabalho em preto e branco. Trabalhávamos com ruínas históricas, a maioria delas nunca antes fotografadas e os primeiros resultados foram fortemente animadores.

A mudança de rumo e a opção pelas cores aconteceu naturalmente dentro do próprio trabalho. A natureza do projeto foi paulatinamente moldando a paleta de cores que usaríamos ao fim do projeto. Pesou à época para a mudança de rumos alguns fatores

1. Os belos tons de verde e azul do rio São Francisco

Navegar pelo Velho Chico é navegar também por uma miscelânea de tons encantadores, ora puxado para o azul-caribenho, como em Petrolândia, ora o verde-esmeralda como em outras áreas da própria Petrolândia, Distrito de Barreiras, entre outras. Até mesmo os tons mais turvos de locais como Glória e a Terra Indígena Truká traziam seus encantos. Após sair um pouco de Petrolândia, a primeira cidade fotografada, percebemos que o Velho Chico tinha muitas cores, e isto traria um alto impacto ao trabalho.

Optamos por manter o mais próximo possível da realidade encontrada, o que levou por vezes os espectadores que não eram avisados previamente do local da imagem, especialmente as que não apareciam ruínas em si, as confundiam com alguma praia famosa. A própria exposição (um dos produtos do projeto) passou então é refletir este vasto compêndio de cores que encontramos em cada canto do rio, incluindo as grandes variações que encontrávamos num mesmo local, à medida que íamos descendo, cada vez mais fundo.

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Os belos tons do antigo Distrito de Barreiras, Pernambuco, nas imediações da Igreja do Sagrado Coração de Jesus

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Rio São Francisco na Bahia. 

2. O objetivo primário do projeto

Outro fator secundário, mas não mandatório, foi o fato das fotos em preto e branco trazerem na maioria das pessoas uma memória relativa ao passado e o cerne do trabalho é a situação atual das ruínas. Por mais que tenha um apelo estético e artístico, o registro documental e o mapeamento são o eixo central de São Francisco Submerso. As fotos em cores seriam um melhor retrato e trariam uma lembrança de maior atualidade às imagens.

Votando a falar do caso da exposição, caso tivéssemos optado pelo preto e branco, obviamente o trabalho não deixaria de ter seu imenso valor, certamente seria até mais interessante para algum visitante que se identificaria melhor e com certeza remontaria mais facilmente ao passado em que estas cidades foram inundadas. É uma opção que cabe ao fotógrafo, ao artista, de forma que um mesmo assunto pode levar a contornos e a mensagens completamente diferentes apenas atuando na paleta de cores.

Em breve, o projeto deve publicar um pequeno guia para mergulhadores que desejam saber as melhores coordenadas para mergulho em algumas cidades. Neste, por questões editoriais, as imagens virão em preto e branco. Nossa exposição, porém, vai seguir pelo Brasil, desta vez com novas cores, extraídas das águas dos municípios de Itacuruba e Rodelas.

No caso de guia, acima do valor estético, estará a questão de identificação das ruínas. Por vezes, a melhor foto do ponto de vista estético é deixada de lado em detrimento a outra que melhor identifique o objeto em questão. Esta fronteira entre a arte e o documental dá muito pano pra manga e espero abordar em um próximo post.

Fotografia

Skillshare

Costumo ser abordado muitas vezes, especialmente pelos fotógrafos mais iniciantes, sobre onde buscar conteúdo para estudo.

Hoje, nós fotógrafos crescidos na era digital, somos abençoados pelas benesses da grande rede. Um bom livro sempre será uma ótima opção, tenho algumas dezenas que vez ou outra me pego (re)estudando suas páginas, mas não há como relevar o poder de outras dezenas de (bons) sites voltados à fotografia.

Em breve volto aqui pra publicar vários destes sites, por enquanto, vou indicar um dos que mais visito. Pra quem domina razoavelmente o inglês, o skillshare.com possui vídeos sobre diversos ramos econômicos, mas os de fotografia são verdadeiramente bem editados e com dicas interessantes para vários segmentos fotográficos, tanto pra nossa fotografia de natureza, quanto para estúdios, still, entre outros.

Acesse: https://www.skillshare.com/photo

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A câmera em “Atenção Plena”

A dica de hoje vai com minhas sugestões para deixar a câmera em estado de “Atenção Plena”, o mais preparada possível pra aquele momento efêmero que se desenha a sua frente e exige rapidez do fotógrafo.

Reza a tradição oriental que a katana, uma vez desembainhada, só haveria de ser guardada com o sangue oponente. Os séculos se passaram e muitos dessas tradições foram levadas para o mundo empresarial de muitos dos países do Pacífico.

A fotografia analógica tinha muito disso. As limitações impostas pelo filme fizeram os fotógrafos da velha guarda serem um tanto mais cuidados e primorosos com cada enquadramento do que a minha geração, nascida no berço esplêndido digital.

A compilação tecnológica embarcada em cada câmera fabricada no século XXI criou uma geração de fotógrafos de dedos nervosos, arredios e cada vez menos preocupados com enquadramento primário, a possibilidade da repetição causa, de fato, esse comodismo.

Quando falamos de fotografia de natureza, a coisa ainda muda de figura, e muitas das técnicas dos grandes mestres do passado analógico ainda se fazem presentes, sem nenhuma alteração, no mundo digital. De nada adiantará disparar 200 fotos a 10 quadros por segundo na hora que um raro jacurutu passar voando na sua frente, se neste breve instante você não estiver de fato preparado previamente. Quem já passou pela frustração de apertar o disparador com a lente ainda com tampa no momento que aquele bicho raro cruzava rapidamente bem a sua frente, sabe o que estou falando.

O fotógrafo de natureza deve viver sempre no estado de Atenção Plena, que a meditação nos ensina. Aquele breve e efêmero momento com a espécie que você “caçou” durante anos pode não se repetir, aliás, naquelas circunstâncias, certamente jamais se repetirá, “nunca mergulhamos no mesmo rio” já diria Heráclito de Efeso. Certamente você até se encontrará com novos exemplares daquela espécie, mas em outro local, em outras condições de luz, em outros enquadramentos. A foto perdida é foto perdida.

Para tanto, o estágio de Atenção Plena jamais será suficiente se sua câmera não estiver o mais próxima possível da configuração ideal na hora do clique. Não é mistério, haverá momentos especiais em que o fotógrafo não terá tempo pra fazer qualquer tipo de ajuste, admitamos, aquela sua foto linda pode vir de um “susto”, e a “premonição” começa com estender a Atenção Plena para seu equipamento.

Desta feita, seguem algumas breves dicas do que costumam fazer quando estou embarcado em meio à natureza. Costumo sempre deixar a câmera inicialmente sempre neste modo, especialmente quando estou me deslocando, já pensando naquele momento em que não terei tempo para fazer qualquer ajuste no equipamento:

  • LENTE SEM TAMPA – Alguns colegas, especialmente nos momentos de longos deslocamentos, ainda costumam colocar as tampas das lentes para “proteger” da vegetação agreste. Não é preciso muito esforço para entender o quanto isso é não aconselhável. Filtro UV sempre, a menos que você já esteja usando um outro filtro, como um polarizador. Os UV’s por mais que tenha suas funções ópticas, tem sim o objetivo primário de proteger a lente. Dê preferência aos filtros UV da mesma marca da lente, o acoplamento óptico em alguns casos escurece menos a configuração final, que no caso do uso de filtros genéricos.
  • ISO MÉDIO – As altas copas das árvores fazem a noite chegar mais cedo para os seres que, como nós, não tem capacidade de voar sobre as árvores. Mesmo ao meio-dia as altas luzes causam “altas sombras”. Assim sendo, a depender do equipamento que estou usando, deixo meu ISO pré-configurado para um pouco menos da metade de seu range, quando a mata é muito fechada. Por exemplo, se a câmera apresenta um desempenho satisfatório até o ISO 12800, a deixo um pouco abaixo do ISO 6400, por volta dos 4000, mas é preciso ter o feeling e o bom entendimento do equipamento que está usando, especialmente se sua câmera apresenta muita granulação já no ISO médio. Deixo o ISO nestes valores pra garantir uma maior velocidade sem tanta perda de qualidade, além de aumentar a probabilidade de “congelar” aquele bicho mais rápido.
  • FLASH DESLIGADO – Essa dica é um complemento do anterior. Sigo uma dica do Mestre Luiz Claudio Marigo e costumo andar com o flash acoplado a câmera mesmo de dia, para aquelas fotos em que o mesmo se faz necessário, mesmo com a luz natural às tantas, entretanto, apesar de acoplado, ele permanece desligado. Uma fonte de luz artificial em ambiente aberto e difuso como as nossas florestas exige cuidado, estudo prévio e tempo para sua configuração. Tempo é justamente o que você não possui na hora de uma foto rápida e se é pra ter uma luz artificial não configurada para uma ocasião, melhor deixá-lo desligado. O ISO nos valores que falamos antes, ajudam nesta questão e teoricamente fazem o flash ser menos necessário.
  • DIAFRAGMA BEM ABERTO – Acho válido os fotógrafos que preferem deixar a câmera inicialmente na nitidez máxima de suas lentes, mas como estamos falando de bichos fugidios a passar rapidamente, querer desfocar o fundo é sempre uma opção interessante. Somando-se às dificuldades de luzes na mata fechada, abrir o diafragma é sempre minha opção favorita, garantindo assim as maiores velocidades possíveis, com fundo desfocado.
  • PRIORIDADE DE ABERTURA – A grosso modo, deixo a câmera em prioridade de abertura nestes momentos, de forma que caso haja algum tempo mínimo pra configuração, inclusive se for pra ajustar a velocidade um pouco pra cima ou pra baixo, através de ajustes indiretos modificando a abertura.
  • TELE DE ATÉ 400 mm – Sempre, sempre, sempre entro na mata com mais de uma câmera. Quem tem uma, não tem nenhuma, quem tem duas, tem uma. Confesso que procuro evitar ao máximo trocas de lentes, por vários motivos, e perder uma “foto rápida” é um deles. Deixo sempre uma tele de até 400 mm (às vezes com o teleconversor acoplado) e outra com a grande angular. Aliás, em viagens mais importantes e especiais já cheguei a andar com duas câmeras comigo e deixando uma terceira de stand by com uma macro pronta no pescoço do guia. Em resumo, a câmera que fica comigo no estágio de “Atenção Plena” é a tele de até 400mm (muitas vezes com um TC de 1,4 ou 2,0 se não estiver muito escuro, sabendo que neste último caso perco o autofoco). O uso da 400 mm não é à toa. É leve o suficiente pra ser usada ainda na mão. Muitas vezes ainda acoplo um monopé, especialmente quando a mata não é muito fechada. As superteles realmente não são nem um pouco agradáveis nestas horas. Ficam na mochila e são retiradas em momentos mais propícios. Idem para as grande angulares que são usadas normalmente em momentos que o fotógrafo terá todo tempo do mundo para pensar. Para fotos rápidas daquela pássaro rápido, sem dúvidas, uma tele de até 400mm. Quando, por acaso, trabalho com uma câmera apenas, sempre troco para a tele de 400mm na hora de me deslocar.
  • CÂMERA EM DISPARO CONTÍNUO – Não é muito difícil aceitar isso. É hora de jogar com a tecnologia a nosso favor. O bicho vai passar de forma efêmera a sua frente, hora de garantir o máximo de cliques possíveis.
  • CÂMERA E LENTE RÁPIDAS – Fica no meu pescoço, a postos, das câmeras que possuo, a de maior quantidade de cliques por segundo e a tele que possuir o autofoco mais rápido. Isso vale pra qualquer set de câmeras.
  • AUTOFOCO CENTRAL – Hoje, chegamos a era em que o autofoco das câmeras é superior a qualquer olho mais treinado que insiste em usar sempre o foco manual. Novamente, hora de jogar com a tecnologia a nosso favor. Como estamos falando de uma espécie qualquer que irá passar rapidamente a sua frente, deixo o autofoco pontual no centro do quadro, de forma que na hora do “tiro”, já vou condicionado a deixar o bicho no meio do quadro.
  • MEDIÇÃO DE LUZ – Aqui costumo variar. Depende um pouco do feeling na hora. Sigo com a medição matricial quando a luz está mais uniforme e parto pra pontual no centro do quadro, quando há grande contraste entre altas luzes e baixas luzes, como forma de garantir medição correta onde está meu objetivo primário.

A regras aqui propostas não são nada radicais. Alguns colegas, como já falei, preferem deixar a câmera ainda no modo M, ou as lentes na nitidez máxima, vai de cada cabeça e acima de tudo de cada estilo. O mais importante é o fotógrafo conhecer bem as características do equipamento e, principalmente, também ele, o fotógrafo, estar no estado de Atenção Plena. Sempre!

Fotografia / Meio Ambiente

As “novas” regras do ICMBio pra fotografia nas unidades de conservação

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O público comum não sabe, mas existe no brasil uma (estúpida) INSTRUÇÃO NORMATIVA do Instituto Chico Mendes que regula o uso de fotografias dentro das unidades de conservação brasileiras.

Pra quem não tem saído muito do nordeste, mesmo o fotógrafo mais habitual, pode também estranhar, de fato tais normas “pegaram” mais pelos rincões do sul/sudeste do país. Outrossim, sejamos justos, trabalhos de fotografia profissionais não tem encontrado, na maioria dos casos, barreiras pra acontecer nas UC’s de uma maneira geral, continuamos tendo que pedir autorizações pra publicar nossas próprias fotos, mas ao menos os trabalhos não tem sido barrados com muita frequência.

Ao longo dos projetos da Coleção EcoExpedições sempre assinamos termos nos comprometendo com algumas “regras” de uso das imagens, bem como no momento das publicações dos livros pedimos uma autorização ao Instituto (isso mesmo, você que tá folheando Expedição Pernambuco – O Leão do Norte neste momento, pro livro chegar até este ponto, passou por diversas, várias, muitas etapas e aprovações, pra tão somente poder existir).

Por mais que não tenhamos encontrado maiores dificuldades, caso eu queira visitar uma UC apenas pra compor meu banco de imagem, sem um projeto oficial específico, em alguns locais a coisa (infelizmente) muda um pouco de figura, mesmo quando se trata de uma unidade aberta à visitação, ferindo o princípio básico do que é um Parque Nacional ou uma Floresta Nacional, um patrimônio comum, nosso, e que portanto deveria dispensar qualquer tipo de autorização prévia pra um fotógrafo exercer seu ofício.

Nenhum colega advogado conseguiu me convencer ainda que tais prerrogativas são inconstitucionais (alegam que não há necessariamente uma “proibição”), mas a verdade é que, além de uma clara afronta aos direitos autorais, a IN 19 de 2011 já causou problemas a alguns colegas, mesmo com um forte embate de nossa AFNATURA . Após 5 anos de sua promulgação, pouco mudou, atrapalhando os planos de se criar uma cultura de fotografia ambiental verdadeira, forte e pulsante em nosso país.

No último mês de maio foi promulgada a nova IN 4/2016 do ICMBio que substitui sua contraparte de 2011. Os avanços são mínimos, continuamos precisando pedir autorização pra publicar algo que já é nosso por direito.

Confira algumas das (pouquíssimas) evoluções conseguidas.

 

IN 19/2011 (ANTIGA)

Art. 5º O uso de imagens de unidades de conservação e de seu patrimônio depende de autorização prévia e específica do Instituto Chico Mendes.

  • 1º A produção de imagens em áreas abertas à visitação nas unidades de conservação federais sem aparatos ou equipe que alterem a rotina dos locais abertos à visitação não depende de autorização prévia e específica do Instituto Chico Mendes.
  • 2º O disposto no § 1º não dispensa a necessidade de autorização de uso, prévia e específica, e de pagamento, quando a exploração da imagem possuir finalidade comercial, sem prejuízo da observância do art. 6º, § 4º

 

IN 4/2016 (COMO FICA)

“Art. 5o O uso de imagens de unidades de conservação e de seu patrimônio depende de autorização prévia e específica do Instituto Chico Mendes.

  • 1o A produção de imagens em áreas abertas à visitação nas unidades de conservação federais sem aparatos ou equipe que alterem a rotina dos locais abertos à visitação não depende de autorização prévia e específica do Instituto Chico Mendes.
  • 2o O disposto no § 1o não dispensa a necessidade de autorização de uso, prévia e específica, e de pagamento, quando a exploração da imagem possuir finalidade comercial de grande porte e/ou visar grande alcance, sem prejuízo da observância do art. 6o, §4o.”

 

IN 19/2011 (ANTIGA)

Art. 12. A captação de imagens para matérias jornalísticas não depende de autorização do Instituto Chico Mendes, mas está sujeita às restrições e condições necessárias para proteção dos recursos naturais da unidade de conservação e segurança dos profissionais envolvidos

 

IN 4/2016 (COMO FICA)

“Art. 12. Solicitações de captação de imagens para realização de matérias ou produções jornalísticas dependem de prévia informação ao chefe de gabinete da Presidência do Instituto Chico Mendes, estando sujeitas às restrições e condições necessárias para a proteção dos recursos naturais da unidade de conservação e segurança dos profissionais envolvidos.

  • 1o A competência prevista neste artigo poderá ser delegada.
  • 2o Ato normativo próprio disporá sobre procedimento específico para comunicação social ou jornalística.
  • 3o Enquanto não editado o ato previsto no parágrafo anterior, o chefe de gabinete da Presidência do Instituto Chico Mendes poderá designar servidor para desenvolver procedimentos amigáveis com os interessados.

 

Palavras de Gustavo Pedro, presidente da nossa Associação de Fotógrafos de Natureza – AFNATURA: “Continuaremos o diálogo com o MMA e ICMBio, e neste momento complexo da política já comemoramos não ter havido retrocessos, mas os avanços são insignificantes pois o termo ‘finalidade comercial de grande porte’ é muito subjetivo e toda publicação visa o ‘grande alcance’ já que como ferramenta de comunicação visual se espera a melhor difusão sempre!”

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A história da foto ícone das Olimpíadas

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Fotos históricas são cercadas de nuances de como foi possível fazer a imagem, nuances estas que por muitas vezes chegam a ser tão ricas quanto a própria foto. O ex-editor do Globo Antônio Ribeiro traz todos os bastidores da imagem do australiano Cameron Spencer e conta, entre outras coisas, como a foto quase não acontece, os riscos assumidos e até a casualidade que permitiu o mundo eleger o quadro que melhor resumiu a Rio 2016.

Se liguem que muitas das técnicas usadas por Cameron se enquadram perfeitamente na fotografia de natureza!

Confira o post na íntegra!

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No facebook, a postagem pode ser acessada neste link: https://www.facebook.com/aribeiro.deparis/posts/10209113386745532.

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Fotografia e o racismo implícito

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Hoje vou ressuscitar uma matéria do portal Nexo de abril passado e que só agora tive oportunidade de ler, justamente sobre um tema que constantemente toco nas conversas que tenho com os colegas fotógrafos: o quanto era mais difícil fotografar negros até mesmo nos primeiros anos da era digital por conta das limitações do equipamento e orientações de projeto dos fabricantes.

O excelente texto de Luciana Domingos transgride pelo trabalho da socióloga Lorna Roth, que se desbruçou sobre como a indústria fotográfica privilegiou a “supremacia ariana”e suas variáveis, servindo como ferramenta pra uma supremacia racial estúpida e medieval tão recente, passando de forma implícita pelos trabalhos de tanta gente boa que conhecemos.

Da Kodak que usava fotos de mulheres brancas pra calibrar seus equipamentos, ao próprio meio fotográfico, que pelos custos envolvidos, quase sempre desencadeava nas mãos de profissionais brancos. Tempos terríveis que esperamos que não voltem nunca mais.

Confira a matéria na íntegra clicando AQUI.