Luiz Netto

Fotografia & Meio Ambiente

Date archives maio 2016

Fotografia

“A fotografia é um estilo de vida.” (Sebastião Salgado)

Escutar Salgado é daqueles programas obrigatórios pra qualquer fotógrafo, não só pela sua capacidade técnica, que dispensa qualquer comentário, mas por conseguir, em sua essência, ir além da câmera e ter uma visão extremamente humanitária do planeta.

Essa entrevista pra Canon Europe está entre as minhas favoritas. “A fotografia é um estilo de vida”, diz o mestre. Interessantíssimo o trecho em que fala de sua transição do analógico para o digital, especialmente pra nós, que já “nascemos” na era dos  bits, entendermos o quanto é complicado quebrar um paradigma, os cuidados na hora de decidir pelo novo equipamento, entre outros detalhes. Infelizmente só está disponível em inglês.

Tião é assim, uma aula a cada entrevista.

 

 

 

Trabalhos

São Francisco Submerso na Folha de São Paulo

Alguns projetos aprovados no Rumos Itaú Cultural ganharam destaque na Folha de São Paulo, após a publicação dos selecionados. Nosso projeto São Francisco Submerso, que parte pra sua segunda etapa, além de grandes nomes da cena cultural nacional, como o jornalista Bruno Torturra e o artista Bruno Moreschi ganharam destaque na matéria.

Nesta segunda etapa partiremos pra explorar as antigas cidades de Itacuruba (Pernambuco), Rodelas (Bahia), entre outras, todas elas com a antiga sede parcialmente ou totalmente submersas pelo Lago de Itaparica.

Confira na íntegra a seguir, ou no site da Folha, clicando AQUI.

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Meio Ambiente

Organizações lançam campanha ‘O governo é provisório, nosso direito é originário!’

Matéria extraída do site do ISA (socioambiental.org).


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Organizações indígenas, indigenistas e ambientalistas, entre elas o ISA, lançaram, nesta sexta (20/5), a campanha “O governo é provisório, nosso direito é originário!”. O objetivo é rechaçar qualquer retrocesso nos direitos indígenas e exigir a demarcação das Terras Indígenas. A mobilização pede que as pessoas enviem e-mails ao presidente interino, Michel Temer, e ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, solicitando a continuidade das demarcações e que nenhum ato demarcatório recente da presidente Dilma Rousseff seja revogado.

Na semana passada, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Moraes afirmou que atos publicados pelo ministério, pouco antes do afastamento temporário de Dilma, poderiam ser revistos, o que inclui portarias declaratórias de Terras Indígenas. Hoje, em entrevista ao jornal Valor Econômico, ele negou a intenção. Há algumas semanas, a imprensa noticiou que Temer também admitiu rever demarcações.


A campanha contra a revogação desses processos foi lançada em frente ao Palácio do Planalto, durante protesto e coletiva de imprensa de um grupo de 50 indígenas Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul. A manifestação incluiu cantos, danças e rituais tradicionais (veja galeria de fotos no final da reportagem).

“Sei que ele [Temer] é um governo provisório, mas nós indígenas não somos provisórios, nós indígenas somos definitivos, nós estamos em cima dessa terra”, disse Leila Rocha Guarani Kaiowa.

“A gente está sabendo que o novo governo está querendo revogar nossa terra e todos os ruralistas estão comemorando, mas a gente não quer que revogue, porque nós somos originários dessa terra”, disse a indígena Flávia Arino Nunes. Durante toda a semana, os indígenas tentaram reunir-se com o ministro da Justiça, mas não tiveram sucesso.

 

Indicações

Meu irmão holandês

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Pra inaugurar a sessão INDICAÇÕES de nosso blog, optei por começar divulgando o trabalho de grandes parceiros que cruzaram meu caminho nos últimos anos.

Um nome não poderia deixar de passar em branco, o do meu grande amigo holandês e parceiro no projeto Expedição Pernambuco, Bart van Dorp.

Conheci Bart em 2011 através de amigos em comum. Como eu, Bart é fotógrafo e engenheiro de formação, nos demos bem de cara. Na ocasião, Bart, que é casado com uma pernambucana, ainda morava no Recife e em pouco tempo estávamos fotografando juntos algumas das belezas do Nordeste. 

Não demorou e quando me pediram uma indicação de mais um fotógrafo pro Expedição Pernambuco, Bart foi o melhor nome do estado que me veio à mente e atendia os pré-requisitos que precisávamos naquele momento.

A fotografia de natureza não é algo tão desenvolvido em Pernambuco, mais ainda quando se fala de um trabalho complexo como seria Expedição Pernambuco, o que exige além do óbvio domínio da arte fotográfica, um excelente preparo físico, uma boa disposição pra encarar desafios e imprevistos, capacidade pra lidar com a pesada burocracia que envolve toda a papelada do projeto e acima de tudo (o mais importante), que seja  de fácil relacionamento, afinal, seriam dias, meses, trabalhando juntos, com uma equipe reduzida, em locais remotos e complexos.

Tudo isso tínhamos e temos em Bart. Nossa amizade estreitou bastante durante os anos que passamos registrando as belezas das áreas de preservação ambiental de Pernambuco.

Não raro, vou lá no seu site ver um pouco de suas sempre belas imagens, especialmente quando se fala de natureza brasileira. Hoje, está de volta a seu país natal, mas aproveitou como ninguém o tempo em que morou no Brasil e quem quiser ver algumas ótimas imagens de nosso patrimônio natural acesse www.bartvandorp.com. O site é ótimo. Indico!

Fotografia

Desembaça!

Na hora de cair na água, a fotografia emerge num novo mundo, cheio de novas possibilidades, como também de algumas dificuldades.

Dentre tais dificuldades, está o acesso a algumas funcionalidades do equipamento depois que a caixa-estanque é (bem) selada.

Basicamente, quando mergulho pra fotografar minha câmera vai dentro de uma caixa da marca canadense Aquática, em alumínio, com capacidade pra 200 metros de profundidade.

Parece um exagero, mas é uma maneira de se sentir mais seguro quando se está entre 15 e 30 metros com tal equipamento, de valor elevado, mas protegido pelas baratas borrachas dos o-rings.

Apesar da segurança que um equipamento mais robusto e preparado pra profundidades ainda maiores nos dá, uma coisa nunca muda, o risco de ver tudo embaçar no interior da caixa-estanque, causado principalmente pela eventual umidade pré-existente em seu interior na hora de cair na água.

Vem aí o grande inconveniente da foto-sub que é o fato de não poder fazer nenhum destes ajustes depois que já está dentro d´água e se isso acontece logo na hora daquele mergulho distante e complexo que você sempre sonhou, a frustração (e o prejuízo) é dobrada.

Pra contornar o problema usualmente uso duas dicas boas e baratas, mas em ambos os casos a atuação tem que ser preventiva, antes de cair na água. No meu caso, costumo fazer na noite anterior, quando estou montando o equipamento: colocar dentro da caixa-estanque saquinhos de sílica gel, bem posicionados, pra que não escorreguem pra frente da lente, ou até mesmo pedaços de papel alumínio em posições igualmente estratégicas e bem presos. Na foto abaixo fixo papel alumínio com papel contato em áreas já naturalmente fixas da caixa, que não permitirão o material ficar solto dentro do equipamento.

 

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Tanto a sílica, quanto o alumínio, retém bem a humidade. Este último, por sinal, fica a dica também pra utilizarem como paliativos em paredes de suas casas que estejam mais úmidas que deveriam.

Até a presente data, em todos mergulhos que realizei, nunca tive problemas com embaçamento na lente ou no domo da caixa utilizando qualquer um dos dois truques.

Se você não é adepto das fotos-sub, a dica continua válida, sair pra fotografar em locais úmidos e/ou em períodos chuvosos são igualmente críticos para as lentes. Ter pedaços de sílica e pedações de papel alumínio na bolsa só traz benefícios (e o peso extra é mínimo).

Fica a dica!

Tratamento de Imagens

Natureza amarela

Desde novos somos condicionados a associar a cor verde à preservação ambiental, por motivos óbvios.

Como também é de conhecimento das pessoas mais envolvidas em artes visuais, a verdade é que todas as cores captadas pertencem a um espaço de cor composto como composições de cores primárias (sendo mais conhecido o espaço de cor do RGB, fruto da abreviação de vermelho, verde e azul em inglês).

Nosso olho pode não estar treinado para tanto, mas a verdade é que a maioria das folhas “verdes” são na verdade uma composição de várias outras, e no caso há “pedaços” de verde, de amarelo, entre outros.

É muito comum pro fotógrafo iniciante, especialmente ao começar a se deliciar com as possiblidades dos laboratórios virtuais de hoje, (leia-se: seu computador com uma miscelânea da adobe instalada), buscar uma forte saturação em suas imagens, algo claramente mais “alegre” aos olhos humanos, mas que constantemente causa artificialismo em algumas imagens, especialmente no “verde” das plantas, com que quando um pouco saturada já foge completamente do “real”.

Isso acontece justamente porque a matriz tonal das folhas possuem altas doses de amarelo, então, se desejas dar mais vidas às tuas folhas, o ideal é buscar a saturação da aba HSL dos Camera Raw (presente no Lightroom ou no Photoshop).

A seguir uma imagem no Monumento Natural dos Monólitos de Quixadá, no Ceará. Trata-se de um garibaldi, ave comum na caatinga, escondendo-se em vegetação nas típica da margem de lagos.

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A falta de luminosidade deixaram o verde pouco vívido, o que nos leva naturalmente a tentar reavivá-lo com as paletas de vibração ou saturação. Quando não, vamos diretamente na saturação do verde, na aba do HSL e o resultado em 99% das vezes é ainda mais artificial, conforme a seguir.

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Na foto acima, exageramos propositalmente na composição do verde na aba HSL, sem atuar na paleta do amarelo, de forma que o ambiente está claramente com um verde fora do contexto do que é encontrado na natureza, excessivamente saturado.

A solução polida e eficaz é atuar, com parcimônia, obviamente, direto na aba do amarelo (podendo eventualmente atuar em paralelo no verde em menor doses) trazendo a vividez com equilíbrio. Nossa opção de tratamento para a imagem escolhida foi a abaixo:

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O ponto “ideal”, logicamente, vai variar de cabeça a cabeça, cada fotógrafo tem seu mundo criativo, bem como cada imagem é um mundo de infinitas possiblidades à parte. Na nossa opção corrigimos as falhas da foto original, e o artificialismo da segunda opção, além de ter procurado buscar a exata tonalidade que recordávamos deste momento.

O segredo é um só: praticar e praticar. Então, mãos à obra!