Luiz Netto

Fotografia & Meio Ambiente

Date archives julho 2017

Meio Ambiente

Distinguindo corais verdadeiras de falsas

A sabedoria popular no passado e a internet nos dias atuais trazem uma série de procedimentos, muitos bem duvidosos, para distinguir a cobra-coral-verdadeira das chamadas falsas corais. 

Eu particularmente, desde cedo, me foi ensinado a tomar cuidado com a sequência das cores, quando os anéis vermelho e preto forem sequenciais, pronto, seria obrigatoriamente uma falsa. Da mesma forma quando os anéis não fossem inteiriços, contornando todo o corpo do ofídio, novamente estaríamos nos deparando com uma coral-falsa.

Na foto abaixo, uma coral-falsa (Oxyrhopus trigeminus) que registrei no Parque Estadual das Carnaúbas (Ceará). Espécie atende os antigos mitos dos anéis vermelho e preto em seqüência, bem como os anéis incompletos (“barriga” do animal é totalmente branca), mas nem todas as falsas-corais seguem este padrão.

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Dada a grande gama de espécies de corais no Brasil, mais de 30 de verdadeiras e mais de 50 de falsas, essas regras podem até funcionar em muitas ocasiões, mas estão bem longe da total eficácia no diagnóstico. Identifica-las com 100% de certeza é bem complexo sem recursos laboratoriais e especializado.

No vasto mundo da internet há várias informações desencontradas que quando colocadas à prova, podem ter consequências catastróficas. Desta feita, selecionei abaixo um artigo que achei o mais completo sobre o tema, publicado no site cobrasvenenosas.com.

Para acessa-lo, clicar AQUI.

Fotografia / Trabalhos / Tratamento de Imagens

A paleta de cores do São Francisco

Algo que vem tomando meu tempo de estudos em fotografia é a relevância da teoria das cores na arte fotográfica. Antes e durante alguns trabalhos, a melhor paleta de cores já me tirou algumas horas de sono. Optar pelo colorido ou pelo preto e branco ou o grau de saturação das cores, por exemplo, sempre são dúvidas recorrentes e muitas vezes fundamental para o sucesso de um trabalho.

Esta dúvida da melhor paleta de cores a utilizar por vezes traz dilemas longos que podem modificar por completo um trabalho. Um exemplo real que vivemos nos últimos anos foi com o São Francisco Submerso. No início dos trabalhos, lá nos idos de 2012, estávamos fortemente inclinados a ser um trabalho em preto e branco. Trabalhávamos com ruínas históricas, a maioria delas nunca antes fotografadas e os primeiros resultados foram fortemente animadores.

A mudança de rumo e a opção pelas cores aconteceu naturalmente dentro do próprio trabalho. A natureza do projeto foi paulatinamente moldando a paleta de cores que usaríamos ao fim do projeto. Pesou à época para a mudança de rumos alguns fatores

1. Os belos tons de verde e azul do rio São Francisco

Navegar pelo Velho Chico é navegar também por uma miscelânea de tons encantadores, ora puxado para o azul-caribenho, como em Petrolândia, ora o verde-esmeralda como em outras áreas da própria Petrolândia, Distrito de Barreiras, entre outras. Até mesmo os tons mais turvos de locais como Glória e a Terra Indígena Truká traziam seus encantos. Após sair um pouco de Petrolândia, a primeira cidade fotografada, percebemos que o Velho Chico tinha muitas cores, e isto traria um alto impacto ao trabalho.

Optamos por manter o mais próximo possível da realidade encontrada, o que levou por vezes os espectadores que não eram avisados previamente do local da imagem, especialmente as que não apareciam ruínas em si, as confundiam com alguma praia famosa. A própria exposição (um dos produtos do projeto) passou então é refletir este vasto compêndio de cores que encontramos em cada canto do rio, incluindo as grandes variações que encontrávamos num mesmo local, à medida que íamos descendo, cada vez mais fundo.

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Os belos tons do antigo Distrito de Barreiras, Pernambuco, nas imediações da Igreja do Sagrado Coração de Jesus

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Rio São Francisco na Bahia. 

2. O objetivo primário do projeto

Outro fator secundário, mas não mandatório, foi o fato das fotos em preto e branco trazerem na maioria das pessoas uma memória relativa ao passado e o cerne do trabalho é a situação atual das ruínas. Por mais que tenha um apelo estético e artístico, o registro documental e o mapeamento são o eixo central de São Francisco Submerso. As fotos em cores seriam um melhor retrato e trariam uma lembrança de maior atualidade às imagens.

Votando a falar do caso da exposição, caso tivéssemos optado pelo preto e branco, obviamente o trabalho não deixaria de ter seu imenso valor, certamente seria até mais interessante para algum visitante que se identificaria melhor e com certeza remontaria mais facilmente ao passado em que estas cidades foram inundadas. É uma opção que cabe ao fotógrafo, ao artista, de forma que um mesmo assunto pode levar a contornos e a mensagens completamente diferentes apenas atuando na paleta de cores.

Em breve, o projeto deve publicar um pequeno guia para mergulhadores que desejam saber as melhores coordenadas para mergulho em algumas cidades. Neste, por questões editoriais, as imagens virão em preto e branco. Nossa exposição, porém, vai seguir pelo Brasil, desta vez com novas cores, extraídas das águas dos municípios de Itacuruba e Rodelas.

No caso de guia, acima do valor estético, estará a questão de identificação das ruínas. Por vezes, a melhor foto do ponto de vista estético é deixada de lado em detrimento a outra que melhor identifique o objeto em questão. Esta fronteira entre a arte e o documental dá muito pano pra manga e espero abordar em um próximo post.

Trabalhos

Acervo de Sao Francisco Submerso ganha novas imagens

Segunda etapa de São Francisco Submerso chegando pertinho de seu fim. Matéria do site da Panorama Cultural, produtora do projeto, a seguir, na íntegra. Para acessar no site original, clicar AQUI.

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A segunda etapa de São Francisco Submerso ruma ao seu final concluindo mais um de seus produtos previstos. Novas imagens, desta vez referentes às cidades de Itacuruba-PE e Rodelas-BA, alvo da segunda etapa, foram incorporadas às fotos da exposição do projeto.

As fotos passam a integrar a mostra “São Francisco Submerso – O Lago de Itaparica”, exposição que já passou por cidades como Recife, São Paulo e Garanhuns-PE e, entre outras premiações, venceu o Prêmio Arte e Patrimônio, do Iphan.

As novas fotos foram produzidas mais uma vez no Estúdio 81, especialista em impressões Fine Art, com todas as peças impressas em papel Hahnemühle PhotoLuster. O Estúdio foi também o responsável pelas impressões nas outras etapas do projeto.

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Luiz Netto, fotógrafo e coordenador de São Francisco Submerso ao lado de Domingos Luna, diretor do Estúdio 81, e uma das peças de Itacuruba impressas.

Esta etapa de São Francisco Submerso contará também com a produção de um guia de coordenadas das ruínas das duas cidades, além da cessão de imagens para as prefeituras e instituições envolvidas, tais como Iphan, universidades, entre outros.

O projeto já possui novos desdobramentos em vista e em breve estaremos divulgando aqui em nosso portal e no site do projeto, acessível em www.panoramacultural.com.br/saofranciscosubmerso.